Seg, 08 de Fevereiro de 2010 19:18
Augusto Nunes
Nos comícios agora diários, além de aprenderem que demissão por abandono de emprego não vale para presidente da República, os brasileiros ficam sabendo que o Dia da Criação só deu as caras por aqui bilhões de anos mais tarde. Mais precisamente em 1º de janeiro de 2003, quando o maior governante desde o tempo das cavernas começou a cumprir a missão que a Divina Providência lhe confiou: construir um país.
Antes de Fernando Henrique Cardoso, o que havia era muito pouco. Depois, restou o nada. Foi Lula quem fez o Brasil. Teria feito em sete dias se não existissem o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o IBAMA. Só por isso a mais grandiosa das obras do PAC demorou sete anos. Em compensação, o Brasil ficou uma beleza, é sócio-convidado do Primeiríssimo Mundo e logo vai virar potência. Desde que Dilma Rousseff seja eleita, condiciona o construtor da nação. Só a vitória da Mãe do PAC impedirá a volta da escuridão que Lula iluminou.
Neste domingo, com 968 palavras, Fernando Henrique enterrou no jazigo das malandragens eleitoreiras a fantasia costurada durante sete anos. O artigo ensina que o Brasil existia antes de Lula e existirá depois dele, seja quem for o sucessor. Incisivo, contundente, o texto exibe o legado de um estadista onde Lula insiste em enxergar a herança maldita.
“Gostaria que a eleição fosse no estilo nós contra eles, pão-pão-queijo-queijo”, repete Lula desde outubro. No último parágrafo do artigo, FHC primeiro reitera uma lição elementar : ”Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças”. Em seguida, apanha a luva atirada pelo sucessor: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.
Como descobrir quem tem razão? Basta promover um debate público entre os dois, propôs Sebastião Silveira. Imediatamente encampada pela coluna e por VEJA.com, que cuidarão de convidar os contendores, a ideia não tem contra-indicações. Um foi presidente, outro logo deixará o cargo. Nenhum deles é candidato. O embate ajudará o eleitorado a escolher com mais segurança.
O fecho do artigo informa que FHC está pronto para o duelo. Lula vive dizendo que sonha com o debate que não pôde travar em 1994 e 1998. Duas vezes derrotado por FHC, o atual presidente tem a chance de provar que o desfecho de um terceiro confronto seria diferente. Enfim, o Brasil merece saber quem diz a verdade.
E faz questão de saber quem mente.
fonte: veja.com.br
Sáb, 06 de Fevereiro de 2010 23:43
Andres Vera
Tratar o usuário de drogas como paciente, e não como criminoso, reduziu o consumo em Portugal. Isso pode dar certo também no Brasil?
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SEM CRIME Usuário fuma maconha numa rua do Porto. Deixar de prender não incentivou
Dez anos separam duas realidades de um mesmo país. Até 2000, Portugal era tomado pela pior epidemia de drogas de sua história – e uma das mais graves da Europa. Hoje, os portugueses orgulham-se de sua bem-sucedida política de descriminalização. Na década de 1990, o país chegou a ter 150 mil viciados em heroína (quase 1,5% da população). Em 2001, o governo português arriscou: descriminalizou a posse individual de todas as drogas, da maconha à heroína. De lá para cá, a polícia portuguesa não prende quem porta pequenas quantidades de droga. No lugar da punição, os usuários flagrados são encaminhados para tratamento. Quando essa decisão foi aprovada pelo Parlamento, temia-se uma explosão no consumo. Mas o que se vê agora é uma queda no uso de todas as drogas e em todas as faixas etárias (leia nos quadros) .
Os números positivos da descriminalização só vieram a público no ano passado, com a publicação de um relatório do Cato Institute. Entre 2001 e 2006, as mortes por overdose caíram de 400 para 290. O registro de pessoas infectadas pelo HIV por compartilhar seringas contaminadas passou de 2 mil para 1.400. Mais importante: Portugal não virou destino para jovens europeus dispostos a se drogar sem que a polícia os incomodasse.
A teoria por trás da política liberal de descriminalização se baseou numa premissa humanista: “Você precisa fazer uma escolha entre tratar o usuário como criminoso ou como um paciente que precisa de ajuda”, diz Manuel Cardoso, diretor do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Para a lei portuguesa atual, quem é flagrado usando ou portando pequenas quantidades de droga não responde criminalmente. O limite é uma dose suficiente para dez dias de consumo. Se apanhado pela polícia, no entanto, esse usuário será encaminhado para uma “comissão de dissuasão”. No ano passado, cerca de 7.500 portugueses passaram pelas comissões. Um psicólogo, um advogado e um assistente social avaliam o perfil do usuário e recomendam tratamento ou multa. A penalidade para os traficantes em nada mudou. Quem negocia qualquer tipo de droga vai para a cadeia como um criminoso comum.
A medida pode parecer radical, mas seus efeitos mostram que ela teve êxito ao enfrentar a explosão da droga, iniciada nos anos 70, no embalo das mudanças de comportamento que sacudiram o país com a Revolução dos Cravos. Quando Portugal decidiu mudar sua lei antidrogas, em 2001, a Europa carregava na memória as imagens deprimentes de “zumbis” vagando pela Platzspitz, em Zurique, na Suíça. Lá, o que era para ser uma praça pública para os usuários se drogarem de maneira “segura”, com vigilância médica e seringas limpas, transformou-se num parque de diversões para drogados e traficantes. A Suíça reconheceu o fracasso da medida e fechou a praça em 1992.
A experiência de descriminalização em Portugal não repetiu o fracasso dos suíços. As primeiras estatísticas a chamar a atenção das autoridades portuguesas foram as do sistema de reabilitação dos usuários de drogas. De 1999 a 2008, o número de viciados que passaram por tratamento saltou de 6 mil para 24 mil. Para atender os novos usuários que procuraram a reabilitação, o uso de metadona, uma substância química usada no tratamento de toxicodependentes de heroína, quase triplicou entre 2001 e 2006. “Quando era tratado como criminoso, o usuário ficava no submundo”, diz Cardoso. “É esse o usuário que agora busca tratamento.”
O crescimento da procura pela reabilitação não mostrou nenhuma relação com o aumento do consumo – um dos maiores temores de quem criticara a lei no passado. As estatísticas do IDT mostram que o número de crianças e adolescentes que já experimentaram algum tipo de droga na vida diminuiu em todas as faixas etárias e em todos os tipos de droga. O uso de heroína, um indicador muito sensível para os portugueses que se lembram da epidemia da droga, continuou estável. Entre 2001 e 2007, a porcentagem de pessoas de todas as idades que admitem ter experimentado a droga pelo menos uma vez passou de 1% para 1,1%, uma diferença considerada insignificante pelos estudiosos.
A maconha, droga que já foi consumida por pelo menos 10% dos portugueses acima dos 15 anos, também parece ter saído de moda. Hoje, Portugal está entre os países com um dos menores índices de consumo da droga na Europa. O número impressiona quando comparado, por exemplo, ao consumo de maconha nos Estados Unidos, onde 39% da população acima de 12 anos já consumiu a droga. Proporcionalmente, há mais americanos cheirando cocaína que portugueses fumando “baseados”. Esse tipo de comparação virou argumento poderoso para os defensores da descriminalização. “Portugal é um exemplo que deveria ser cuidadosamente levado em conta por outros países”, escreveu o advogado americano Glenn Greenwald, diretor do Cato Institute e autor da pesquisa sobre a descriminalização.
Greenwald, considerado um dos advogados mais influentes dos EUA, ressalta outra vantagem: o tráfico de drogas parece ter diminuído. O número de traficantes acusados pela Justiça portuguesa diminuiu depois da lei. Em 2000, houve 2.211 acusações. Em 2008, foram 1.327. Se o rigor da polícia e da Justiça portuguesas se manteve inalterado na última década, isso poderia mostrar que a “guerra contra as drogas” defendida pelos Estados Unidos tem uma natureza falha.
Diante de tantas evidências positivas, onde estaria a fragilidade do modelo português? Os números imediatamente apontam para dois problemas: crescimento do uso de cocaína e do número de mortes relacionadas ao uso de drogas a partir de 2006. O governo português diz que existem apenas problemas pontuais, causados por tendências de consumo ou por mudança de metodologia, e que isso não tira sua credibilidade. É nesse ponto que alguns especialistas discordam. Muitos acreditam que Portugal só atingiu tantos resultados porque acompanhou uma onda de diminuição do consumo de todas as drogas verificada na Europa.
Outros críticos dizem que o tamanho de Portugal, com cerca de 10 milhões de s habitantes, não serve de parâmetro para determinar se a descriminalização funcionaria, por exemplo, nos Estados Unidos. Todos concordam, pelo menos, que se a experiência da descriminalização em Portugal não ajudou, ela também não atrapalhou, a exemplo da desastrosa experiência de Platzspitz. As únicas certezas empíricas dizem que a distribuição de seringas limpas realmente reduz o número de infectados pelo HIV. Mas ninguém conseguiu entender, por exemplo, por que a Polônia, sem nenhuma política antidrogas digna de menção, tem as taxas de consumo de cocaína mais baixas da Europa.
Os liberais continuam acreditando no bom exemplo português. No começo do ano, um estudo da revista The Economist feito em parceria com as Nações Unidas investigou a relação entre narcóticos e níveis de punição em 17 países. A conclusão do estudo: não existe relação entre as duas coisas. Uma comparação entre dois países opostos no quesito “rigor punitivo”, a liberal Holanda e a rigorosa Suécia, mostrou que a legislação não interferia nos problemas que esses países enfrentavam para tratar os dependentes químicos. Nos EUA, onde imperam as mais duras regras contra o tráfico e o consumo, as drogas continuam um flagelo.
O que a descriminalização das drogas em Portugal tem a ensinar ao Brasil? “Escolher o modelo ideal é uma questão de vontade política e, principalmente, de pragmatismo”, diz Manuel Cardoso. A favor da descriminalização da maconha (e não de sua legalização, que suporia a legitimidade da produção e da venda da droga) estão três ex-presidentes latino-americanos: o brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o colombiano César Gaviria e o mexicano Ernesto Zedillo. Há um ano, na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, exibiu-se o principal argumento desse grupo, um que explica o sucesso de Portugal: os bilhões de dólares que governos gastam prendendo e processando usuários de drogas teriam mais utilidade se destinados a programas de reabilitação. Se é verdade que o tamanho e a cultura de Portugal não traduzem o que poderia acontecer no Brasil, a experiência argentina de descriminalização da maconha, em vigor desde agosto, mostrará a chance de uma política liberal vingar na América Latina. Em Portugal, até agora, parece ter vingado.

fonte: revista época
Sáb, 06 de Fevereiro de 2010 23:11
Raphael Bastos


O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.
É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.
*Ex-presidente da República
Qui, 04 de Fevereiro de 2010 15:38
Demóstenes Torres

É muito comum observar especialistas em educação a fixar em duas décadas o prazo suficiente para se reverter os indicadores negativos da educação brasileira.
A se considerar o desempenho nacional do setor nos anos 2000, conforme avaliação da Unesco, só o fator tempo não será o bastante para que possamos romper o baixo padrão de qualidade do nosso sistema de ensino.
O Brasil tem um líder carismático incontestável, reconhecido como estadista internacionalmente por obedecer aos mandamentos da democracia.
No plano econômico, conseguiu obter status de potência de média importância, podendo chegar ao quinto PIB mundial. No que se refere à grande demanda contemporânea de práticas sustentáveis se situa na vanguarda do planeta verde. Pelo menos esse é o balanço oficial.
Temos adquirido habilidades tecnológicas fantásticas em diversos setores, a exemplo da exploração das imensas reservas de petróleo do pré-sal. Apesar dessas extraordinárias vantagens, nos falta competência histórica para oferecer educação de qualidade.
O déficit educacional brasileiro não é apenas um óbice para a realização do país do futuro, como muitos projetam. São atuais e altamente comprometedores os problemas de mão-de-obra qualificada que o País enfrenta em diversos setores, como o da mineração, da metalurgia, de informática, entre outros.
Por conta das inúmeras oportunidades perdidas de implementar um sistema educacional decente, continuamos a apresentar índices de atraso que superam até mesmo os países mais pobres da América Latina, que temos a honra de liderar no plano geopolítico.
O Relatório de Monitoramento Global da Educação para Todos 2010 da Unesco mostra essa realidade com muita clareza. Vamos aos números: o Brasil possui o maior índice de repetência no ensino fundamental em relação a todos os países da América Latina.
Quando é aferido o percentual de alunos que completam esse ciclo de estudos, perdemos para países muito mais pobres que o Brasil como a Bolívia, o Peru, a Venezuela e o Uruguai.
Para medir o cumprimento das seis metas estabelecidas para o setor em 2000, a Unesco criou o Índice de Desenvolvimento da Educação para Todos. A escala vai de zero a 1.
O Brasil recebeu no relatório de 2010 uma avaliação de 0,883. Em relação à America Latina está à frente somente de Nicarágua, Guatemala, República Domincana, El Salvador e Suriname. Perdemos até para Honduras do bananeiro Manuel Zelaya.
Na América Latina, quatro países já conseguiram obter o índice que confere a posição de ter atingido a meta de prover educação para todos. Outros cinco estão muito próximos, inclusive a problemática Venezuela. Já o Brasil se situa em situação intermediária, na companhia indesejável de outros 16 países.
No plano global, estamos na 88ª posição entre 128 países avaliados. Para ficar na linguagem presidencial, se fosse o Brasileirão, não seria rebaixado, mas estaria distante do título.
A Unesco reconhece que o Brasil tem obtido avanço no programa de alfabetização, na inclusão ao ensino fundamental e na paridade de acesso na questão de gênero. Mas o País é reprovado quando é medido o essencial, ou seja, a qualidade do ensino.
Outro detalhe importante é o fato de a Unesco elogiar o nosso sistema de financiamento, especialmente o Fundeb. Aqui merece uma constatação importante ao se ler o relatório da Unesco. A nossa taxa de investimentos no setor educacional em relação ao PIB é a maior da América do Sul.
Há aí uma disparidade muito grande do nosso caso, se comparado com o Chile, por exemplo, entre o percentual investido e os resultados apresentados, o que nos faz inferir que além dos problemas didáticos, estritamente atinentes ao professor e ao aluno, o sistema educacional brasileiro padece de deficiências estruturais de gestão.
O relatório da Unesco não menciona, mas é preciso destacar a maneira despudorada como administradores locais mancomunados com burocratas roubam dinheiro até de merenda escolar.
O que poderia ser feito em 20 anos vai sendo adiado sine die em função do erro essencial do modelo de educação administrado. Enquanto o Brasil não se definir pela universalização da Escola em Tempo Integral, o sistema educacional vai continuar a formar analfabetos funcionais de alto custo financeiro.
Estamos a desperdiçar tempo e dinheiro, além de pôr em dúvida a real capacidade de nos convertermos em um protagonista global confiável, já que não se pode levar a sério uma nação com indicadores educacionais piores do que a Bolívia.
fonte: blog do Noblat
Qua, 03 de Fevereiro de 2010 15:22
Giulio Sanmartini
Todo o neto costuma ser mal educado e prepotente, e não foge à essa regra o Neto do Brasil, Luiz Cláudio Lula da Silva (foto), o filho mais novo de Lula. Suas estrepolías precoces foram notícia em 2004, quando tinha ainda 19 anos. Programou um tour por Brasília levando em avião da FAB 14 colegas para passarem as férias escolares hospedados no Palácio d a Alvorada, com direito a churrascos na granja do Torto, café da manhã, almoço e jantar, passeio de lancha no lago Paranoá e até um encontro com Pelé, tudo pago pelo contribuinte.
Nesses dias ele voltou a aprontar, sendo protagonista de um episódio deprimente, ocorrido durante uma apresentação do Cirque du Soleil. O fato foi relatado por um dos organizadores.
Lulinha estando no Ciruqe , começou a gritar, com o coordenador do espetáculo: “Você sabe com quem está falando?”
Não satisfeito continuou com as ameaças “Quem manda nesse país é o meu pai, eu sento onde eu quiser e mando minha turma bater em você, porque descubro onde você mora”, “Você sabe com quem está falando? Também, posso fazer você perder seu emprego.” Tudo aos berros intercalados por palavrões. Ele havia tomado o assento de três senhoras que haviam pagado seus ingressos, e não queria sair do lugar delas de jeito nenhum. Ele estava acompanhado de duas garotas.
O coordenador chamou o segurança e o fez sair. O cafajeste estava bêbado e se recusava a tomar o assento que ele havia comprado, queria aquele lugar porque ele era o filho do Lula.
Pois bem, ele pediu para chamar o presidente do Cirque du Soleil. O canadense veio atendê-lo; ai… ele dizia ao coordenador:”Duvido que você conte a ele, que mandou o segurança retirar o filho do presidente do Brasil, que manda em tudo”…
O diretor canadense, disse: “Aqui mando eu, e meu funcionário obedeceu rigorosamente as leis que regem o Cirque du Soleil, portanto, você se dirija ao seu lugar ou retire-se”
Ele se retirou, e tornou a voltar porque as moças estavam chorando e queriam ver o Show.
Muitos da platéia diziam: Ele é igual ao pai, vejam como está bêbado. Palhaço!!!
É assim que os “silvas” pensam, que o Brasil é deles, essa vergonha de um bêbado vem provar que o DNA existe.
fonte: prosaepolitica.com.br e blog do William
Qua, 20 de Janeiro de 2010 19:20
senador Sérgio Guerra

Nota oficial do PSDB, assinada por seu presidente, o senador Sérgio Guerra (PE), e que acaba de sair do forno:
"Dilma Rousseff mente. Mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa fé do cidadão.
Mente sobre o PAC, mente sobre sua função. Não é gerente de um programa de governo e, sim, de uma embalagem publicitária que amarra no mesmo pacote obras municipais, estaduais, federais e privadas. Mente ao somar todos os recursos investidos por todas essas instâncias e apresentá-los como se fossem resultado da ação do governo federal.
Apropria-se do que não é seu e vangloria-se do que não faz.
Dissimulada, Dilma Rousseff assegurou à Dra. Ruth Cardoso que não tinha feito um dossiê sobre ela. Mentira! Um mês antes, em jantar com 30 empresários, informara que fazia, sim, um dossiê contra Ruth Cardoso.
Durante anos, mentiu sobre seu currículo. Apresentava-se como mestre e doutora pela Unicamp. Nunca foi nem uma coisa nem outra.
Além de mentir, Dilma Rousseff omite. Esconde que, em 32 meses, apenas 10% das obras listadas no PAC foram concluídas – a maioria tocada por estados e municípios. Cerca de 62% dessa lista fantasiosa do PAC – 7.715 projetos – ainda não saíram do papel.
Outra característica de Dilma Rousseff é transferir responsabilidades.
A culpa do desempenho medíocre é sempre dos outros: ora o bode expiatório da incompetência gerencial são as exigências ambientais, ora a fiscalização do Tribunal de Contas da União, ora o bagre da Amazônia, ora a perereca do Rio Grande do Sul.
Assume a obra alheia que dá certo e esconde sua autoria no que dá errado.
Dilma Rousseff se escondeu durante 21 horas após o apagão. Quando falou, a ex-ministra de Minas e Energia, chefe do PAC, promovida a gerente do governo, não sabia o que dizer, além de culpar a chuva e de explicar que blecaute não é apagão.
Até hoje, Dilma Rousseff também se recusou a falar sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, com todas barbaridades incluídas nesse Decreto, que compromete a liberdade de imprensa, persegue as religiões, criminaliza quem é contra o aborto e liquida o direito de propriedade. Um programa do qual ela teve a responsabilidade final, na condição de ministra-chefe da Casa Civil.
Está claro, portanto, que mentir, omitir, esconder-se, dissimular e transferir responsabilidades são a base do discurso de Dilma Rousseff. Mas, ao contrário do que ela pensa, o Brasil não é um país de bobos."
Qua, 20 de Janeiro de 2010 09:32
Cris Catupiry

Vendo a matéria do Fantástico, sobre os escombros da igreja onde Zilda Arns palestrava, o que me chamou atenção foi a seguinte frase do jornalista:
“Reparem que a única parte intacta da igreja é a imagem de Jesus crucificado”
Isso me pareceu uma assinatura, saca? Do tipo “Deus esteve aqui”.
Zilda Arns foi uma senhora de respeito, uma religiosa que fez um belíssimo trabalho com a Pastoral da Criança não só no Brasil, mas pelo mundo. É uma mulher que merece nossa admiração, independente da crença ou ausência dela.
Ainda nesta edição do Fantástico, colocaram a atriz Marília Pêra para ler o último discurso da Dra. Zilda, e o discurso já começa assim:
“Amar a Deus sobre todas as coisas…”
Não é estranho que depois de um discurso cheio de louvores, esta cristã exemplar e temente a Deus tenha morrido em um terremoto, soterrada pelas paredes que deveriam servir de casa daquele que ela mais venerava?
Quem matou Zilda Arns?
Os céticos dirão: Foi um desastre natural, que por uma infelicidade aconteceu no lugar onde a Dra. estava.
Os religiosos vão arranjar todo o tipo de desculpa possível… as que mais me fizeram rir foram: “O Haiti fez um pacto com o demônio” e a clássica “Deus quis a Dra. Zilda perto dele”.
Ambas as desculpas são ridículas, mas essa de que Deus quis a Dra. Zilda perto dele foi demais… QUE SACANA!!! Quer dizer então que para levá-la para o “seu lado”, Deus precisou derrubar uma igreja em sua cabeça? E mais! Precisava matar mais de 200 mil pessoas pra isso?
Imagens de louvor a Deus, orações, ou qualquer manifestação religiosa depois de uma tragédia dessas me soa completamente hipócrita. Se Deus existe, ele é MUITO sádico, cruel e maldoso. Como se ele acordasse um dia e pensasse “Acho que hoje vou provocar uma catástrofe. Vou pegar a Indonésia e jogar um tsunami… hummm… agora vou abalar as estruturas do Haiti, eles já estão todos ferrados lá mesmo…”.
Vamos ser racionais. Desastres acontecem, pessoas importantes morrerão nestes desastres, isso nada mais é que nosso planeta trabalhando, as forças da natureza. O que podemos fazer é lamentar a perda de uma pessoa tão querida. Tentar arranjar culpados paranormais para a tragédia é ridículo, pois o assassino seria sempre o mesmo: Deus.
Claro que sim, pois se rolasse esse pacto com o demônio que o pastor Pat Robertson diz ter ocorrido, o Onifodão deixou acontecer. E se foi Deus querendo punir de alguma forma o Haiti, por que então ele escolheu logo o momento em que uma de suas mais exemplares filhas estava presente? E se fosse apenas para punir alguém, por que então logo o Haiti? Será que aquele pobre país não tinha sido punido o suficiente?
Se Deus existe, ele trabalha de forma estranha… como os próprios religiosos dizem “Ninguém pode explicar os planos de Deus”. Só posso afirmar com certeza uma coisa: Posso não entender a maneira que ele trabalha, mas digo que ta fazendo merda.
UM PEQUENO UPDATE:
Do que o Haiti mais precisa no momento? Os sensatos responderiam: Água, comida, material de higiene, colchões…
Sabe o que alguns religiosos mandaram? Bíblias.
Ter, 19 de Janeiro de 2010 11:58
Arthurius Maximus*

O terremoto no Haiti não jogou por terra apenas vidas e as estruturas daquele país miserável. Jogou por terra também os sonhos de grandeza do governo Lula e a farsa do discurso fácil de políticos que ainda tentam se iludir achando que o amadorismo e o despreparo podem tomar o lugar da competência e dos recursos.
A ocorrência do terremoto acabou deixando exposto o nervo da falta de recursos e da falta de equipamentos de nossas forças armadas em situações de grande necessidade. Sem condições financeiras e materiais de fazer frente ao desastre, o Brasil vê sua posição de liderança local ser posta em xeque pela esmagadora presença americana que controla todas as áreas vitais do país e a distribuição de donativos. Até no socorro às vítimas os americanos estão presentes de forma maciça e constrangedora, tomando para si a responsabilidade maior sobre todas as áreas coordenadas pela ONU no Haiti.
Isso é ruim para nós?
Não. A proporção da desgraça, a necessidade de ações rápidas e de recursos ilimitados para fazer frente a todas as exigências da situação coloca os EUA como o coordenador ideal das operações e, por ser o mais rico país do mundo, o verdadeiro protagonista da situação. O Brasil perde apenas o discurso fácil e a postura de “fortão” que o governo Lula sempre quis dar à presença brasileira naquele país.
Sem apoio sério de nosso governo e sem equipamentos capazes de fazer frente às necessidades do momento e, até mesmo, antes do terremoto, nossos militares conseguiram um resultado muito bom graças à experiência brasileira em favelas e ao fornecimento de material bélico pela ONU.
Mas, nesse momento, a brincadeira acabou e a ocasião exige que “adultos” e países experientes tomem conta da situação. Nosso exército tem excelente material humano e cérebros de alto nível. No entanto, nossas forças armadas estão em tal nível de sucateamento que é impossível para nós imaginar que sejam capazes de fazer frente até a situações do dia a dia (basta lembrar que o Brasil dispõe apenas de 4 caças interceptadores – supersônicos – para fazer frente a invasões de nosso espaço aéreo e que nossa marinha praticamente não tem navios patrulhando o nosso litoral pela simples questão de falta de combustível).
Poucos brasileiros podem saber disso, mas, por trás da propaganda do governo Lula de forças armadas equipadas e preparadas, há na verdade desaparelhamento e abandono quase total. Nos quartéis, militares são liberados para voltarem à casa todos os dias pela simples falta do que comer. Veículos que nos custaram muito caro são canibalizados para que unidades com problemas mecânicos possam continuar operando porcamente em mínimas atividades cotidianas.
Estamos criando forças armadas mal treinadas, mal equipadas e inaptas para defender nossas riquezas, nossas fronteiras e atender às mínimas condições operacionais em casos de grandes catástrofes (que também podem acontecer aqui).
O terremoto no Haiti parece ter causado abalos no ego e nos sonhos de uma gente que achava a participação do Brasil em uma missão de paz da ONU uma brincadeira ou, como eles gostam de fazer muito por aqui, um trampolim para ambições políticas em relação à própria ONU.
Agora, a verdade, caiu-lhes, literalmente, na cabeça.
fonte: perspectivapolitica.com.br
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